A (falsa) arte de pedir aos professores que se calem

Na minha vida, já fiz várias coisas que depois me arrependi.

Uma delas foi ter estudado ciências em vez de artes no secundário. Sim, sim, eu sei que artes me teria levado ao desemprego e que iria apanhar lepra e viver nas ruas se tivesse seguido a minha veia artística, condenando-me a passar o resto da minha vida a abanar o meu portfólio no ar na esperança que alguém notasse as minhas capacidades de design gráfico.

Contudo, devo dizer que estudar ciências deu-me, literalmente, uma depressão que começava comigo a levar livros de fantasia para todas as aulas e acabava em ataques de ansiedade todos os dias. Uma dessas situações de lose / lose, se vamos a ver.

Outro dos meus arrependimentos são as discussões que tenho tido com os meus professores ao longo dos anos.

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Bolo? Bolo!

O meu maior problema com a comida é que, se está perto de mim, eu vou comê-la.

Se o meu prato está cheio, eu vou comer tudo, independentemente de qualquer falinha mansa da pessoa a servir, como aquelas frases inúteis do estilo “ah mas não tens de comer tudo!” que são, sinceramente, uma grandíssima p*taria. Eu não consigo resistir e qualquer pessoa a olhar para a Gisela de 16 anos com 80 kilos sabe que ela nunca vai deixar comida no prato. Hoje estou um pouco melhor, mas isto continua algo que eu tenho trabalhar e que provavelmente nunca vai mudar, porque metade de mim não quer estragar comida e a outra  metade vai ser sempre ‘loves this like fat kids love cake’.

Com isto em mente, viver sozinha é provavelmente a melhor coisa que já me aconteceu, pois não só controlo todas as minhas as porções, mas também controlo a comida que existe em minha casa. Se não há comida de lixo por perto eu nunca vou comer mal, pois sou demasiado preguiçosa para sair de casa só para comprar umas bolachas.

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y me fui pa' Madrid sin remordimientos

Como muitos de vós sabeis ou, pelo menos, deveis saber, a que vos escreve agora mudou-se para Madrid faz hoje uma semana e dois dias. Entretanto, muito e pouco aconteceu: já apanhei uma constipação pois faz um frio de rachar nesta cidade, conheci imensas pessoas novas e comecei a viver um pouco o espírito de Madrid e o espírito Erasmus.

A pouco e pouco fazem-se amizades e gasta-se o dinheiro todo em cafés que não valem nem metade dos nossos em Lisboa mas custam sempre o dobro. Pelo menos os sítios onde servem os cafés são lindos, isso ninguém pode negar.

Não tendo ainda histórias que esteja desejosa de partilhar, deixo antes fotos visto que essas, muitos dizem, valem mais que mil palavras.

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Experiência cicatrizante do dia

Apanho o 729 todos os dias, depois de sair da faculdade, para percorrer o caminho entre o ISCSP e a estação de Benfica. Depois de sair do autocarro ando um pouco para a frente, até que viro para uma rua relativamente longa e relativamente deserta, mesmo ao lado da esquadra da polícia, que perfaz a maior parte do meu caminho a pé para casa.

Imaginem agora este cenário: estou a descer esta mesma rua que hoje, por ventura, nem está assim tão deserta. Passo por duas senhoras a carregar as compras na direção oposta e à minha frente, a seguir na mesma direção que eu, está uma rapaz, mais ou menos da minha idade. Tem o cabelo curto e veste um daqueles casacos de desporto americanos e calças beijes, nada de muito reconhecível.

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Desventuras nos transportes públicos de Lisboa

Andar nos transportes públicos da cidade das sete colinas é sempre uma aventura da qual poucos saem ilesos. Metro, autocarro, comboio, elétrico e até as belas barquetas da margem sul proporcionam aos seus utentes uma experiência emocional, física e espiritual que deixa marcas, por vezes permanentes, como aquela cicatriz que eu tenho no tornozelo da vez que cai ao descer as infinitas escadas da estação na Baixa.

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Criatividade Forçada

O meu primeiro post em português e nem sequer é conteúdo relevante. Mil perdões, juro que volto daqui a uns tempos com algo interessante.

Por agora, deixo-vos com dois textos que escrevi na semana passada enquanto frequentava o curso “Escrita de viagens | Uma viagem literária” da escreverescrever. Este curso foi deveras uma experiência elucidativa, embora provavelmente não da maneira que o “professor” tencionava. Tenho um grande desejo de escrever sobre essas míticas dezasseis horas de formação, do que aprendi, como o tempo passou e como me sinto, mas não agora. A memória ainda está à flor da pele e ainda tenho um texto-exercício para escrever e enviar por email às outras participantes. Daqui a um mês ou dois, quando a experiência estiver mais que concluída, falarei então sobre o curso, que considero marcante no meu processo de crescimento e aprendizagem.

Passando à frente e deixando estas duas promessas perdurar no vazio, estes são os dois textos que escrevi. Um é a descrição de uma foto, escolhida por mim entre um leque de exemplos, todas pertencentes a revistas de viagens. Não tenho a original, mas encontrei uma outra no google que é bastante parecida. O outro texto é sobre o Tejo e a ponte, escrito nas notas do meu telemóvel enquanto olhava para a paisagem.

Embora não tenha desfrutado do curso, desfrutei de escrever, como sempre.

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